SHEMA YSRAEL, YAOHUSHUA ELOHENU UL, YAOHUH  ECHAD! Dt 6:4.

Escuta Yaoshor'u! Yaohushua é o nosso Criador; o Eterno é um Só!

A Bíblia Hebraica da SÊFER segue o judaísmo ortodoxo e manipula o texto!

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CUIDADO!!! A Bíblia Hebraica do Antigo Testamento [TANAKH], em português, vendida pela editora judaica SÊFER, cujos autores são David Gorodovits e Jairo Fridlin, tem alterações textuais que impedem a percepção de Yaohushua como sendo o Messias.

Isaías/Yahshua’yaohuh 53 e os Rabinos de Yaoshor’ul: A interpretação rabínica moderna dos dias de hoje fala que Is 53 refere se a Yaoshor’ul (Israel), mas isto não é o que os rabinos antigos pensavam, pois os mesmos interpretavam Is 53 como sendo messiânico.

Mas, observe estas citações rabínicas (judaicas):

O Rabino Moses Alschech (1508-1600) diz: Nossos sábios rabinos com uma só voz aceitam e afirmam em comum opinião que o profeta discursa sobre o Messias, e nós devemos aderir ao mesmo ponto de vista.

Abravanel (1437-1508) disse: Esta é também a opinião de nossos próprios homens instruídos na maioria de seus "Midrashim" (discursos rabínicos).

Rabino Yafet Ben Ali (segunda metade do 10º século): Quanto a mim, eu vou considerá-lo como aludindo ao Messias.

Abraham Farissol (1451 - 1526) diz: Neste capítulo parece haver umas semelhanças e umas alusões consideráveis ao ministério do Messias "cristão" e aos eventos que são aplicados para ter acontecido com ele, de modo que nenhuma outra profecia deva ser encontrada o aplica tão bem e o assunto de que pode assim imediatamente lhe ser conferido.

Targum Yonathan (4º século) dá a seguinte introdução em Is 52:13: Eis, meu servo, o Messias.

Gersonides (1288-1344) em Dt 18:18: "De fato o Messias é tal profeta, pois se indica no Midrash no verso, "Eis, meu Servo…" (Is 52:13)."

Midrash Tanchuma: "Foi exaltado acima de Abraham, exaltado acima de Moshe, e ainda mais exaltado do que os Arcanjos" (Is 52: 13).

Yalkut Schimeon (atribuído ao Rabbi Simeon Kara, ao 12º século) diz:"Em Zc 4:7 - (o rei Messias) é maior que os patriarcas, porque é dito, "Eis que o meu servo procederá com prudência; será exaltado, e elevado, e mui sublime. (Is 52:13)."

Maimônides (1135-12O4) escreveu ao Rabbi Jacob Alfajumi: "Do mesmo modo esta em Isaías/Yahshua’yaohuh que (o Messias) apareceria sem reconhecer um pai ou uma mãe" ...Pois foi crescendo como renovo perante ele, e como raiz que sai duma terra seca (Is 53:2)".

Tanchuma - O Rabino Nachman diz: A Palavra HOMEM na passagem é um homem que seja cabeça da casa de seu pai.

(Nm 1:4), alude ao Messias, o filho de David, porque está escrito, "Eis o homem cujo nome é Tzemach (renovo)". Onde no Targun Yonathan interpreta, "Eis o homem, o Messias" (Zc 6:12); e assim é dito: homem de dores, e experimentado nos sofrimentos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum (Is 53: 3)".

Talmud Sanhedrin (98b): "Messias… qual é seu nome? Os Rabinos dizem, "leproso"; aquele da casa de David, objeto deste estudo. (Rabino Yehuda Hanassi, o autor do Mishná, 135-200): ...seus alunos disseram que o nome do Messias é "Cholaja" (o enfermo), porque diz; "certamente carregou nossas enfermidades..." (Is 53,4)".

Pesiqta Rabbati (ca. 845) sobre Is 61,10: Os "mundo dos Patriarcas", um dia no mês de Nisan, levantaram e dirão (ao Messias): 'Efraim, nosso Justo Ungido, embora nós sejamos seus avós, contudo você é maior do que nós, porque você carregou os pecados de nossos filhos, porque diz: ‘Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e carregou com as nossas dores; e nós o reputávamos por aflito, ferido do ETERNO, e oprimido’Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados’ (Is 53, 4-5).

Rabino Shmeon Ben Yochai (2° Século), Zohar; parte II página 212ª e III página 218ª, Amsterdã Ed.): Há no jardim de Éden um palácio chamado: 'O palácio dos filhos da enfermidade, este é palácio que o Messias entra, e chama sobre si cada doença, cada dor, e cada castigo de Yaoshor’ul: então todos vêm e caem sobre Ele. E assim tirou o peso de Yaoshor’ul, e os levou sobre si mesmo. Não havia nenhum homem capaz de carregar a punição de Yaoshor’ul por causa da transgressão da lei; este é aquele do que é escrito, verdadeiramente Ele tomou sobre si (Is 53:4). Enquanto lhe dizem (o Messias) da miséria de Yaoshor’ul em seu cativeiro, e daqueles infiéis entre eles que não atenderam em conhecer seu Criador, Ele (o Criador deles, o Messias) levanta sua voz e chora para pelas iniquidades e infidelidades deles; e assim escreve-se, "ele foi ferido por causa de nossas transgressões" (Is 53:5). Midrash (em Ruth 2:14): É discurso do rei Messias – ‘venha em direção’, isto é próximo ao trono; "coma do pão", isto é o pão do Reino. 'Isto alude a (pão da) aflição, enquanto é dito, "mas [ele] foi ferido por causa de nossas transgressões, afligido por causa nossos iniquidades" (Is 53:5).

Disse o Rabino Elias de Vidas (Século 16): "O significado de ‘foi ferido por causa de nossas transgressões, afligido por causa de nossas iniquidades’ é, desde que o Messias carregará nossas iniquidades que produzem suas aflições, consequentemente aqueles que não admitem que o Messias sofra por nossas iniquidades, então devem eles mesmos sofrer pelas delas".

O Rabino Jose Galileu disse: vem aprender os méritos do Rei Messias e a recompensa do justo - Considere quantas mortes levou sobre si, de sua própria geração, e sobre daquelas que os seguiram, até o fim de todas as gerações. Qual atributo é maior, o atributo da bondade, ou o atributo da vingança? Respondeu, 'o atributo da bondade é maior, e o atributo da vingança é menor', 'quanto mais então, o Rei Messias, que resiste às aflições e às dores por causa de nossas transgressões (pois se escreve, 'foi ferido...), justificam todas as gerações. Este é o significado da palavra, mas o ETERNO fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós. (Is 53:6)".

 O Rabino Eleazer Kalir (Século 9) escreveu a seguinte oração de Musaf[1] (do sidur): "Nosso Messias o justo partiu de nós. O Horror apreendeu-nos e nós não temos ninguém para justificar-nos. Carregou nossas transgressões e culpa de nossas iniquidades, e foi ferido por causa de nossas transgressões. Suportou nossos pecados em cima de seus ombros para que nós possamos encontrar o perdão para nossas iniquidades. Nós seremos curados por suas feridas, quando o ETERNO o recriar em uma nova criatura. E trazê-lo ao círculo da terra, levantá-lo de Seir[2], para que nós possamos o ouvir pela segunda vez".

Rabino Moshé, "o Pregador" (sec 11) escreveu em seu comentário sobre Gênesis/Bereshit (pág 660): No principio o ETERNO fez uma aliança com o Messias e disse à ele: 'meu Messias, o Justo, aqueles que confiarem em você, seus pecados, trarão sobre você um fardo muito pesado pra você suportar, e Ele (o messias ) respondeu: 'eu aceito contente todas estas agonias em ordem que nenhum só de Yaoshor’ul seja perdido. 'Imediatamente, o Messias aceitou todas as agonias com amor, como se escreve: 'foi oprimido e aflito'.

Pesiqta (sobre Is 61:10): Grandes opressões foram colocadas em cima de Você, como diz: Pela opressão e pelo juízo foi levado e quem dentre os da sua geração considerou que ele fora cortado da terra dos viventes, ferido por causa da transgressão do meu povo? (Is 53:8), como ele dizem: mas ETERNO fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós.'(Is 53:6)".

Hinei Tzemach ShmôEis que se chamará Renovo - Zc 6:11-12.

Rabi Joshua ben Levi diz: o nome do Mashiach é Tzemach… Talmud Brachot Cap. 2 Halachá 4. No Midrash Mishlei, o Rabino Huna fala dos "sete" nomes do Messias, tirado também de Is 9:5.

Rebbe Rabi Menachem Mendel Schneerson: É preciso lhes dizer que a verdadeira e perfeita Redenção depende inteiramente de nós; pois se nós, judeus, voltarmos ao ETERNO com um sincero arrependimento, seremos imediatamente redimidos pelo nosso justo Mashiach (Messias).

 

Bíblia Hebraica da Editora Sefer & Toráh

O problema reside no fato de que, como foi visto na questão das Haftarôt, há na estrutura do judaísmo posterior ao Segundo Templo, uma tendência a “ajustes” de ordem teológica na própria religião, de forma não haver lacunas para uma possível compreensão ou associação de Yaohushua como uma figura messiânica. Para prevenir possíveis “distorções”, apela-se para todo tipo de adaptação textual, para que se alcance este objetivo. Objetivo este alcançado na Toráh disponível em nossos dias e seguido pela tradução hebraica da editora Sefer, no Brasil!!!

Pensar-se-á em algumas passagens bíblicas cuja tradução é conduzida de tal forma que levam o leitor à conclusões previamente elaboradas, obviamente com fins profiláticos, como uma forma de prevenir outros judeus de perceberem a figura messiânica de Yaohushua nestes possíveis textos.

Citar-se-ão alguns textos na versão portuguesa da Bíblia Hebraica e será feita em seguida uma análise exegética destes textos, percebendo possíveis distorções ou interpolações doutrinais.

 

TEXTO 1: Is 9:6, 7 (v.5-6 no texto hebraico) - Pois nasceu entre nós uma criança, um filho (de Achaz, da dinastia de David) nos foi dado. E sobre seus ombros estará a autoridade; por isso o Maravilhoso Conselheiro, o Criador Todo-Poderoso e Pai eterno, alcunhou-o (aHizikiáhu [Ezequias], o filho de Ashaz) de Sar-Shalom (‘Príncipe da Paz’)...”

Como já foi dito, as inferências entre parênteses são em alguns casos elucidativas, mas em outros, são ampliações do texto vinculando-os à uma tradição interpretativa.

Neste texto a “criança”, a priori não identificada diretamente no texto, é associada ao filho do rei Acaz, neste caso o Rei Ezequias. Não é necessário observar, que as citações entre parênteses não constam no texto hebraico original; são interpretações de ordem especulativa (pessoal), não havendo clareza no texto sobre tal possibilidade. Repentinamente, a “criança” ou o “menino”, ‘cujo poder está sobre seus ombros’, é nomeado de “Príncipe da Paz” por um terceiro sujeito: “O ETERNO, Todo Poderoso e Pai”.

Estranho, pois no texto hebraico esta estrutura final está da seguinte forma: Vaikrá [e chamar-se-á] sh’mô [seu Nome] pélê [Maravilhoso] yoêts [Conselheiro] el-Gibor [Criador Forte] Abiád [Pai para sempre] Sar-Shalom [Príncipe da Paz].

Como pôde ser observado, na tradução interlinear (transliterado) não há possibilidade para outra tradução, não há a expressão “por isso” usada pela Bíblia Hebraica em português. Nem o artigo definido “o conselheiro”, como se houvesse uma outra pessoa no texto. Fica claro que todo os adjetivos usados no texto se aplicam à “criança” (o Messias) que nasceria e teria o poder sobre seus ombros. Há nitidamente inferências artificiais no texto tendo em vista conduzir o leitor a uma interpretação intencionada.

Veja ainda que o tradutor atribuiu os adjetivos messiânicos para o Eterno, obviamente para ofuscar a argumentação de séculos, de que este texto refere-se a Yaohushua.

Veja como este texto está na ESN – Escrituras Sagradas segundo o Nome [EUC – Edição Unitariana Corrigida by CYC]: Porque um menino nos nasceu; foi-nos dado um filho. Ser-lhe-á dada a responsabilidade de governar. Estes serão seus títulos: Maravilhoso, Conselheiro, UL Forte, UL’ABI para sempre, Príncipe da Paz. Is 9:6 – ESN.

Enfim, o que o texto do profeta deseja, é demonstrar o caráter representativo do Messias, cuja função é revelar: o “UL Forte”, “um PAI para sempre”; etc.

 

TEXTO 2: IS 7:14 - Eis pois que o Eterno, Ele mesmo, vos dará um sinal: eis que a moça grávida dará à luz um filho e o chamará Imanuel (‘o Criador está conosco’)”.

Hú [ele] lachêm [para vós] ôt [um sinal] hinê [eis] haalmá [a jovem] hará [grávida] veylédét [dará à luz] bên [um filho] v’karát [e chamará] sh’mô [seu nome] imanu-êl [êl conosco].

Quando um cristão lê este texto, percebe logo a diferença em relação às versões cristãs, que traduzem geralmente o verso como: “... eis que a virgem dará à luz um filho...”, ao invés de “... eis que a jovem...”. O problema reside na polêmica sobre a palavra hebraica “almá” (traduzida pelas versões não judaicas como virgem). O argumento judaico é que esta expressão não significa “virgem”, mas “mulher jovem” ou “moça”. De fato, as Escrituras Hebraicas possui uma palavra específica para fazer referência a virgem, o termo "betulá". Porém, é óbvio que o termo “almá”, que apesar de significar “moça” ou “menina jovem”, não descarta a hipótese de virgindade.

No livro de Mateus/Man’yaohuh quando da narrativa do nascimento de Yaohushua, vê-se claramente o uso do termo grego “partenós” (virgem) para se referir a Maria/Maoro’hém. Isto não foi acidental, pois a versão grega das Escrituras Hebraicas (que era muito popular entre os judeus de Yaoshor’ul no I século) chamada de Septuaginta (ou LXX), introduziu a expressão “partenós” (virgem) para traduzir “almá” do hebraico de Is 7:14. Provando assim, que os judeus responsáveis por traduzirem as Escrituras do hebraico para o grego já assimilavam doutrinas pagãs e as incutiram nas Escrituras, uma vez que viam “claramente” o vínculo entre almáh e “virgindade”, apesar de haver uma palavra hebraica específica para “virgem”. Evidente que este não foi o pensamento do escritor bíblico, uma vez que, como foi dito acima, no hebraico existem palavras distintas e se o profeta assim desejasse [expressar a “virgindade” da jovem], o teria feito mediante o uso da palavra correta; provando assim que o RESULTADO [a Septuaginta] foi tendencioso em mais este tópico[3].

Yaoshor’ul teve em sua trajetória vários casos em que mulheres que não podiam dar a luz de forma natural e conceberam por intervenção divina, obviamente não eram virgens, mas eram estéreis, e o CRIADOR, por Sua intervenção, as fez conceber (como Sara/Soro’ah) em idade avançada). Há algum limite para o poder do CRIADOR? Não seriam estes casos que vão desde Sara/Soro’ah, passando por Anna até Isabel/Oliza’bohay (parente de Maria/Maoro’hém), sinais de uma concepção ainda mais milagrosa do que a que ocorreria quando o Messias viesse ao mundo? Daí, o texto que cumpriu-se no próprio Isaías/Yahshua’yaohuh, ser messiânico, apontando que naquela concepção carnal entre José/Yao'saf e Maria/Maoro’hém, produziria o Messias (Hb 10:5), o Filho do ETERNO – o Cordeiro que tiraria o pecado do mundo! Jo 3:16.

 

TEXTO 3: Is 52:13 – 53:12.

Este é o texto mais adulterado da versão portuguesa da Bíblia Hebraica [SEFER]. Far-se-á uma análise de alguns trechos considerados de maior gravidade. Este trecho é comumente conhecido, como se referindo ao “servo sofredor”, associado durante muitos anos no judaísmo à figura do Messias, como bem demonstra alguns targumim[4] e trechos do Talmud. Houve uma mudança de ponto de vista hermenêutico (interpretativo), na estrutura do judaísmo da idade média, tendo em vista prevenir a associação da figura de Yaohushua com este texto. Houve um consenso rabínico de se procurar uma interpretação alternativa a Is 53, ao invés de associá-lo ao Messias.

Is 52:13 que começa na Bíblia Hebraica em português como: Eis que há de prosperar Meu servo (o povo de Yaoshor’ul)...” Deixa óbvia a interpolação entre parênteses e proposta de associação entre o “servo” com o “povo de Yaoshor’ul”, descaracterizando o caráter messiânico da profecia. Estranho, para uma versão que se propõe manter seus vínculos com a tradição, ignorar como o Targum Jonatas (Yonatân) traduz o começo do texto: Eis que o meu servo o Messias (o Ungido), há de prosperar”.

Em Is 53:4 a Bíblia Hebraica em português propõe a seguinte tradução: Na verdade, eram os nossos sofrimentos (das nações) que (Yaoshor’ul) suportava, e as dores que o oprimiam, mas nós o considerávamos um ser aflito, golpeado e ferido por Criador”. Veja a diferença, na tradução interlinear (literal) no quadro abaixo:

Achên [certamente] chalayênu [nossas enfermidades] hú [ele] nassá [levou] umachovêinu [e nossas dores] sevelêm [carregou] vaanáchnu [e nós] chasháv’nehú [o julgamos] nagúa [golpeado] muké [ferido] ulhim [CRIADOR ETERNO] umuné [e oprimido].

Não há, obviamente nem “Israel” e nem as “nações” no texto original. Mas, observe, que o “tradutor” colocou “... as dores que o oprimiam...”. Associando assim a “dor” à 3ª pessoa (ele), como se o texto estivesse associando “as dores” ao sujeito descrito no texto, que para a versão é “Israel”. Mas, no original não é bem assim... O que se vê é o uso da expressão “umachôvêinu” que está na 1ª pessoa do plural (nós) como indica o sufixo ”einu”. O texto está dizendo que “Ele” (o servo sofredor – o Messias) levará as “nossas dores”, ou seja as dores do povo de Yaoshor’ul e não o contrário, como se Yaoshor’ul carregasse em si suas próprias dores.

Portanto, como vimos anteriormente, na tradição judaica, (anterior à idade-média) este era interpretado como se referindo ao Messias, como descreve o Talmud Sanhedrin (98b): "Messias… qual é seu nome? Os Rabinos dizem, "leproso"; aquele da casa de David, objeto deste estudo. (Rabino Yehuda Hanassi, o autor do Mishná, 135-200): ...seus alunos disseram que o nome do Messias é "Cholaja" (o enfermo), porque diz; "certamente carregou nossas enfermidades..." (Is 53:4)".

Na ESN: Contudo ele tomou verdadeiramente sobre si as nossas enfermidades; e os nossos sofrimentos pesaram sobre ele. Pensamos que era afligido, castigado por UL’HIM; humilhado!

Outro trecho sujeito a críticas é o que se encontra no verso 8: Com opressão e juízo iníquo foi aprisionado; acaso alguém (das nações) argumentou para com sua geração: ‘Ele (Israel) foi exilado da terra dos vivos pela transgressão do meu povo, e por isso recebeu esse duro golpe?’.

Ao analisar o trecho acima, o que se vê é uma frase contraditória. Afinal, todo o tempo o autor [diga-se tradutor] impõe um diálogo entre “Israel” e as “nações”, excluindo uma terceira pessoa, a figura do Messias.

Observe a tradução interlinear-literal:

Ki (porque) nigzár (ele foi cortado) meérets (da terra) chaim (dos vivos) mipêsha (da rebelião) ami (do meu povo) nega (um golpe) lamô (recebeu)

O que se vê é que a expressão “ami” (meu povo) se refere a ISRAEL, a única nação no mundo que é chamada nas Escrituras Hebraicas de “meu povo”. Então como pode o mesmo Yaoshor’ul levar um golpe pelo “meu povo” (Israel). Aqui, há um outro sujeito que recebeu um golpe pela rebelião ou transgressão do povo de Yaoshor’ul... Isto é demonstrado claramente pelo verbo “nigzár” (que “traduzido”, vai para a 3ª pessoa do singular, masculino – “cortado”) e o verbo “lamô” (que também deve ficar na 3ª pessoa do singular, masculino – “recebeu”). Lembrando, que não há a expressão “exílio” (galút) no texto original. Fica claro que neste caso há referência ao Messias (Ele - a 3ª pessoa do singular) como redentor das culpas de Yaoshor’ul.

Veja este texto, na ESN: Após a prisão e o julgamento levaram-no então para a morte. Mas, afinal, quem de entre o povo, naquele dia, se deu conta de que era pelos pecados deles que ia morrer, que estava sofrendo o castigo que deviam eles ter suportado?

Is 53:10 - Este é outro trecho profundamente alterado, veja como se segue a tradução feita pela Bíblia Hebraica em Português [SÊFER]: “Contudo, aprouve ao Eterno oprimi-lo para testar se sua alma[5] se oferecia como restituição, para que pudesse ver prolongados os dias de sua semente, e sentir prosperar, por seu intermédio, os desígnios do Eterno”.

Agora observe a tradução interlinear- literal:

VeYHVH (e Adonai) chafêtz (agradou) dakô (quebrantá-lo) hechelí (enfermá-lo) im-tassim (quando o colocar) ashâm (como oferta pelo pecado) naf’shô (a vida dele) yreê (verá) zéra (sua semente) yarích (prolongará) yamim (os dias) vechfêts (e deleite) YHVH (ADONAI) beyadô (pela mão dele) ytslách (prosperará).

O que se deve discordar é a tradução do termo “asham” (oferta pelo pecado) por “restituição”. Sabe-se o sentido literal de “asham” como significando “compensação”, porém “asham” é uma referência direta a “oferta pela culpa” oferecida no Templo, conforme se vê o uso da palavra em textos como: Lv 7:15; 14:21 e 19:21. Ao ofuscar a função de “asham” do Messias, exclui-se qualquer possibilidade, de encontrar a cura de Yaoshor’ul, a resposta para um Yom Kipur verdadeiro. Pois não há “Yom Kipur sem sangue” como afirma a tradição. Sem dúvida, por isto o Eterno providenciou um “asham”, uma oferta pela culpa de todo judeu (Jo 3:16). O Eterno providenciou esta cura e os que a experimentam (judeu ou não-judeu) conhecem bem os seus efeitos.

Este mesmo texto, na ESN: Contudo foi o bom plano de UL’HIM que ele fosse moído e cheio de aflições. Mas, quando a sua vida for oferecida por expiação do pecado, então terá uma multidão de filhos, uma posteridade imensa. E tornará a viver; os planos de UL’HIM hão de prosperar nas suas mãos.

O que se vê também, é que há uma suavização dos verbos usados. Ao invés do verbo “testar” dever-se-ia usar como no original o verbo “hechêlí” que vem da raiz “chalá” que só pode ser traduzido como: “adoecer, se tornar enfermo, etc”. O verbo “testar” é inexistente no original, não há nenhuma palavra que suporte esta tradução. Vale aqui uma crítica: Por que a versão em questão traduziu o termo que vem da raiz “chalá” como “teste” em Is 53:10 e traduziu como “doente” em Is 33:24? Este texto foi traduzido como se segue: “E não dirá um habitante (de Jerusalém/Yah'shua-oleym): ‘Estou doente’, pois ao povo que ali vive serão perdoados todos os pecados”.

 

TEXTO 4: Zc 9:9 - “Rejubila-te com todo teu ser, ó filha de Tsión! Clama com alegria, ó filha de Jerusalém! Eis que para ti se encaminha teu justo rei, triunfante por suas vitórias, mas ao mesmo tempo comportando-se com humildade, cavalgando um filhote de jumento”.

Observe a tradução linear:

Gili (alegra-te) meôd (muito) bat (filha) tsiôn (de Sião) harii (grita) bat (filha) yrushalam (de Yah'shua-oleym) hinê (eis) malkêch (teu rei) yavô (virá) lách (a ti) tsadik (justo) venosha hu (e salvação ele é) ani (pobre) verochêv (e montado) al chamôr (sobre o jumento) veal-ayir (e sobre o filho do jumento) bem atonôt.

O texto procura obscurecer a “pobreza” e o “sofrimento” do Messias em sua primeira vinda Yaohushua era pobre, as narrativas dos evangelhos deixam isto claro, e sofreu em sua trajetória messiânica. Porém, neste caso há um obscurecimento deste detalhe. Pois se insere a seguinte frase: “... triunfante por suas vitórias, mas (chalití verbo da raiz Chalá adoecer.) ao mesmo tempo comportando-se com humildade...” Não há no original esta estrutura, ele não se “comporta” com humildade, ele é “pobre e sofredor” (ani).

Veja o uso da mesma palavra em alguns textos da Toráh:

Ex 3:7 - Falando do sofrimento e da aflição do povo de Yaoshor’ul no Egito.

Dt 16:3 - Falando do pão da aflição.

Dt 24:12 - Falando do homem pobre.

Na ESN: Alegra-te intensamente, ó meu povo! Grita de contentamento! Vê, o teu rei aproximar-se! Justo e Salvador, pobre e montado num jumento, um pequeno jumentinho.

O que a profecia de Zacarias/Zochar’yah procura demonstrar é a dupla função do Messias: “sofredor” e “vitorioso”. Interessante observar novamente o que está preservado na tradição judaica, sobre esta relação do Messias “sofredor X vitorioso”, como está escrito:

“Rabino Alexandre disse: Rabi Yaosh Bem Levi levantou uma contradição. Está escrito, neste tempo [virá o Messias], como também está escrito, Eu [ETERNO] apressarei isto! Se eles forem dignos, eu apressarei isto, se não, [ele virá] no tempo oportuno. Rab. Alexandre disse: Rab. Yaosh opôs-se com dois versos: Está escrito, que um como o Filho do Homem virá com as nuvens dos céus, mas também está escrito que o [Rei virá a ti] humilhado e cavalgando sobre um jumento! Se eles merecerem, ele virá com as nuvens dos céus, mas se não, humilhado e sobre um jumento” (San’hedrim 98a).

Como descrito, os rabinos debatiam o duplo caráter do Messias: pobre, humilhado e afligido e ao mesmo tempo um Messias vitorioso. Este conflito messianológico era muito presente no I século em vários debates rabínicos. Pois de fato havia textos que sustentavam o aspecto “sofredor” do Messias. Por isto há a tradição de um “Messias Ben Yosef” que antecederia o Messias vitorioso. A diferença que existe na abordagem dos judeus messiânicos, é que simplesmente vemos Yaohushua como este Messias sofredor e que Ele mesmo (como prometera) voltará para um povo que merecidamente o verá sobre as nuvens dos céus, em sua segunda vinda.

 

TEXTO 5: Zc 12:10 - “E derramarei sobre a Casa de Davi e sobre os moradores de Yah'shua-oleym o espírito de graça e das súplicas, e olharão para Mim por causa daqueles que foram transpassados e gemerão como se fosse pela morte de seu filho único, e sofrerão como quem sofre por seu primogênito”.

O problema reside no trecho: “...e olharão para Mim por causa daqueles que foram transpassados”.

Mais uma vez, observe a tradução literal do trecho:

Vehibitú (e eles olharão) elay (para mim) êt (indicação de objeto direto) asher (que) dakarú (eles transpassaram) vesf’rú (e prantearão) aláiv (sobre ele) k’mispêd (lamento).

 

O uso de “êt” ta pelo tradutor foi totalmente ignorado. O “êt” tem a função de indicar objeto direto em uma oração, ou seja, que a estrutura após o “êt” recebe a ação do sujeito da estrutura anterior. “Eles” (os que olharão) são os sujeitos da oração. “Eles olharão” para aquele (“...para mim...”) que “eles transpassaram” e chorarão. Não há como sustentar “aqueles que foram transpassados” , até porque o verbo transpassar “dakarú” (wrqd) está na voz “Qal” ou seja, voz ativa e não voz passiva. Indicado “ação sobre” e não que os sujeitos da oração estão recebendo a ação. Mas, uma vez a tentativa de ofuscar, o lamento sobre o Messias ferido pelas iniquidades de Yaoshor’ul e das nações.

Na ESN: Nessa altura derramarei o espírito de graça e de oração sobre todo o povo de Yah’shua-oleym, e verão aquele que trespassaram, e chorarão por ele, como por um filho único ou um primeiro filho que lhes tivesse morrido.

Conclusão:

Como pôde ser observado, existe uma intensa produção textual inerente ao judaísmo que tenta de alguma forma impedir a associação entre os textos messiânicos em sua forma original com a figura messiânica de Yaohushua. Por uma questão óbvia, sabe-se que por séculos o judaísmo vem resistindo esta combinação, na maioria dos casos de forma intencional [a ponto de manipular a própria Tanakh]. A figura de Yaohushua vem sendo excluída do judaísmo durante séculos. Hoje, já existe um movimento acadêmico/teológico que tenta reconstituir Yaohushua como um judeu, como um grande mestre, até mesmo como um possível profeta judeu; há até os que afirmam como se segue, Yaohushua como um tipo de Messias Ben Yosef:

"A literatura teológica judaica clássica (ortodoxa) fala de um messias fracassado. Na maioria dos textos, ele é chamado Messias filho de José/Yao'saf (ou Messias filho de Efraim). Trata-se de um messias preliminar, que vem em antecipação do, e para abrir o caminho ao Messias final, o Messias filho de David. É um messias que morre a fim de criar as condições e proporcionar a oportunidade, para que a redenção final ocorra. Essa idéia de um messias sofredor é originária do messianismo judaico (...). De acordo com outros historiadores judeus, a idéia do Messias filho de José foi desenvolvida para conferir a “jesus” um lugar na teologia messiânica judaica. Segundo essa concepção, a idéia foi desenvolvida para tentar convencer os judeus do primeiro século que acreditavam que Yaohushua era o Messias de que na verdade ele era um messias judeu, mas não o Messias definitivo. Essa tentativa, esperava-se, evitaria a separação desses judeus da comunidade judaica" (“Jesus segundo o Judaísmo”, Ed. Paulus - Capítulo "Quem você diz que sou?" - Rabino Byron L. Shewin*)

*Professor de filosofia e misticismo judaicos no Spertus Institute of Jewish Studies in Chicago. Ordenado no Jewish Theological Seminary.

 

Cuidado com a Bíblia Hebraica da Editora Sefer

O Professor Igor Miguel examinou alguns textos deste tanach em português. Vejamos:

ADULTERAÇÃO DE TEXTOS MESSIÂNICOS

O esforço do judaísmo tardio em descaracterizar, ou pelo menos, em prevenir a comunidade de uma “livre associação” entre textos messiânicos com a figura de Yaohushua continua ainda de forma mais intensa, quando se trata de uma tradução recente, do Tanách (da Bíblia Hebraica – também conhecido como Antigo Testamento pelos cristãos). Infelizmente, muitos cristãos ávidos e leigos, ainda inexperientes na relação cristianismo X judaísmo, se envolvem em elogios até públicos, sem ao mesmo refletirem criticamente sobre estes textos.

Como de praxe nesta versão, em nada diferente de outras traduções da “Bíblia Hebraica” existentes no mundo, há inferências entre parênteses que são usadas, segundo os editores, para a “...inserção criteriosa de certas palavras (normalmente entre parênteses) quando extremamente necessárias à compreensão do texto, ou adotou-se determinada tradução não literal a fim de possibilitar sua leitura à dos ensinamentos e orientações técnicas dos Sábios do Talmud e dos consagrados exegetas bíblicos judeus dos últimos 2 mil anos”.

Neste ponto reside a principal crítica deste artigo. Ao submeterem uma tradução das Escrituras Hebraicas para o português, levaram em conta uma tradição paralela de tradução das Escrituras, neste caso as orientações de rabinos da antiguidade bem como outros intérpretes judeus. Ou seja, o que se tem não é apenas uma tradução, é uma “interpretação”. Felizmente, este ponto foi deixado claro...

VEJA O SEGUINTE TÓPICO:

 

PROBLEMAS DA BÍBLIA HEBRAICA [SEFER] EM PORTUGUÊS

Alterações textuais que impedem a percepção de Yaohushua como o Messias

Por Igor Miguel by Ensinando de Sião

- Edição de oCaminho -

 

Existem excelentes versões da Bíblia produzidas no mundo judaico, em específico, versões da Toráh. Pela primeira vez foi publicada em português, uma versão de todo o Tanakh (o chamado Antigo Testamento para os cristãos) que se afirma traduzida diretamente do hebraico.

Sabe-se que toda tradução é naturalmente interpretativa e hermenêutica. Ou seja, está sempre submetida aos conceitos e ponto de vista do tradutor. Há os que sustentam uma “imparcialidade” ou “neutralidade” em traduções. Porém, cientificamente, sabe-se que a “neutralidade” é um mito. O tradutor pode tender à “imparcialidade”, porém sempre há algo de sua individualidade e subjetividade [crenças pessoais] que estarão presentes em sua produção textual.

Nesta mesma linha, há o mito da “tradução fiel”, que é tratar a tradução como uma reprodução literal e precisa da fonte primária. Em outras palavras, uma tradução da Bíblia em português (ou qualquer outra língua) que se diga 100% fiel às fontes originais. O ideal de uma “tradução fiel” é uma impossibilidade técnica; não há como fazer uma tradução que reproduza fielmente, em todos os aspectos, o que o autor quis dizer. Pois é óbvio, que o sentido de um texto só pode ser entendido em todas suas dimensões de significado, quando inserido em sua língua e contexto originais; principalmente cultural e histórico. Ao passar este significado ou sentido para uma outra língua, há perdas; limitações naturais que ocorrem pelo simples fato de ser uma tradução.

Existem subjetividades de ordem cultural que precisam ser levadas em conta; há estruturas que são peculiares de uma língua específica. A exemplo de hebraísmos, rimas, jogos de palavras, expressões e até mesmo codificações que só fazem sentido na língua original, por isto, simplesmente é impossível reproduzi-las em sua totalidade em uma tradução.

Como já fora introduzido, a tradução também corre o risco de ser ideológica, ou seja, de carregar consigo a tendência ou pressupostos teológicos ou filosóficos, do tradutor. Por isto, o leitor deve ter clareza – ao ler uma Escritura traduzida – que ele não está lendo a Palavra do CRIADOR de uma forma direta, mas transmitida por uma tradução suscetível à interferências do tradutor. A Palavra do Criador, nos foi transmitida em língua oriental; no caso das Escrituras judaicas, a língua hebraica (com alguns trechos em aramaico). O leitor deve ter extremo cuidado para não cair em uma excessiva sacramentalização da tradução, ou seja, uma supervalorização canônica da tradução, pois ela é uma “reprodução” sujeita à “ruídos e interferências”. Sendo assim, a Bíblia traduzida, seja por quem for, sempre será uma versão vulnerável a pontos de vistas e imperfeições. Somente os originais podem ser tratados como textos realmente canônicos e realmente inspirados. Estes sim são as “fontes primárias”.

Por isto, não existem traduções perfeitas, ou uma que possa ser considerada a melhor. Existem boas traduções da Bíblia publicadas por editoras protestantes, católicas e judaicas, porém, estão todas suscetíveis às críticas e às mesmas vulnerabilidades textuais que já foram mencionadas.

Deve-se deixar claro, por outro lado, que nenhuma tradução é desprezível, a maioria das produções sérias, como as versões clássicas (ARA, ARC, KJV, etc), são trabalhos de profunda importância intelectual e espiritual. As traduções introduziram as pessoas aos originais, lhes permitiu terem seus primeiros contatos com as Escrituras Sagradas em vernáculo conhecido. Isto é de grande valor! As limitações de uma tradução da Bíblia, não a colocam em categoria desprezível. Toda tradução tem seu valor, o que não anula obviamente, suas limitações.

Já vem sendo demonstrado através de vários artigos e palestras, os diversos problemas de tradução em versões cristãs da Bíblia, principalmente em textos que possuem vínculos teológicos à respeito da Lei, dos judeus, de Israel/Yaoshor’ul e da Igreja, etc. Há trechos em específico do chamado Novo Testamento, que foram distorcidos em uma tentativa de ofuscar a teologia do relacionamento do Criador para com Israel/Yaoshor’ul; a Torah e seu povo. Além disto, há hoje um esforço teológico, para desmascarar esta tendência histórica de versões cristãs da Bíblia em “desjudaizar” as Escrituras.

Porém, nunca foi apresentada uma crítica (no sentido técnico) às tendências das versões judaicas das Escrituras, levando em conta em específico a recente e única edição judaica [SEFER] do Tanakh em Português.

Não há intenção aqui, obviamente, de hostilizar a versão, seus editores ou tradutores. O que se propõe é apenas uma crítica de ordem teológica e técnica a textos que sofreram algum tipo de distorção, em favor de posicionamentos dogmáticos [crenças pessoais] impostos por uma tradição histórico-religiosa milenar. Tradição respeitável, mas que não é hermética ou fechada, antes aberta ao diálogo e à reflexão livre. Mesmo que isto coloque em jogo alguns paradigmas. Se o que se deseja é o bem da verdade, que assim seja!

 

WHAT HAPPENED WITH YAOHUSHUA’ HAFTARAH?

(O QUE ACONTECEU COM A HAFATARÁ DE Yaohushua?)

Foi recentemente publicado um artigo pelo jornal israelense Haaretz, que trata de um assunto polêmico, mas que precisa ser debatido. Muitos estudiosos e pesquisadores das Escrituras, em específico aqueles que se especializaram no Novo Testamento, vinham questionando algo interessante.

Alguns sabem que há uma tradição milenar no judaísmo, que é a leitura de porções dos profetas após a leitura pública da Toráh (Pentateuco). Estes textos previamente selecionados dos escritos proféticos são chamados de Haftará. Uma das fontes mais antigas, que descreve ocasionalmente esta tradição judaica, está maravilhosamente preservada em um texto do chamado Novo Testamento, em específico em Lc 4:16-21 que diz:  16-17Quando foi aos Nudtzoroth’ins, terra da sua infância, dirigiu-se, como de costume, à sinagoga no Shabbos e levantou-se para ler a Tanakh. Deram-lhe o rolo de Yahshua’yaohuh, e abriu-o no lugar onde está escrito: 18-19O RUK’HA-UL’HIM (UL’HIM, em Espírito onipresente), está sobre mim. Ele me ungiu para levar as Boas Novas aos pobres. Enviou-me para anunciar a liberdade aos cativos e que os cegos tornarão a ver; para anunciar a liberdade aos cativos, e para proclamar o tempo de favor de UL. 20-21Fechando o rolo, tornou a dá-lo ao assistente [chazan] e sentou-se, enquanto todos na sinagoga o miravam atentamente. E começou por dizer: Hoje se cumpriram estas Tanakh!

Este texto fascinante, demonstra com clareza que Yaohushua fez a leitura pública do rolo do profeta Isaías/Yahshua’yaohuh na sinagoga em um Shabat. O que fazia Ele na ocasião? Nada mais, nada menos, que a antiga e boa tradição judaica da leitura da Haftará, já mencionada.

Porém, o problema que alguns estudiosos observaram ao ler esta narrativa, foi: Que trecho é este que Yaohushua leu? Ora o texto lido por Ele advém em específico do capítulo 61:1,2 do livro do profeta Isaías/Yahshua’yaohuh. Daí surgiu outra questão: Se a leitura das porções dos profetas (a Haftará) é selecionada antecipadamente, em uma tabela oficial, quando esta leitura é ou era feita na sinagoga? Esta dúvida permaneceu durante muito tempo sem uma resposta satisfatória.

Sabe-se que a leitura oficial dos profetas é determinada por uma escala elaborada pela tradição dos rabinos. Assim vem sendo orientada por centenas de anos. Mas, o que se percebe no caso de Yaohushua, é que o texto lido por ele, não se encontra na escala de leituras do judaísmo atual. Por quê? Há algum erro no Novo Testamento? Há os que sustentam este argumento, porém, esta não é a resposta adequada. Teria então, a lista de leitura das Haftarôt (plural de Hafatará) sofrido alguma alteração, por parte de alguns rabinos ou decretos rabínicos, por motivos escusos?

Foi publicado pelo jornal israelense já mencionado, um artigo intitulado em inglês como: “What happened to Yaohushua’ Haftarah?” de autoria de Hananel Mack, cuja informação é no mínimo intrigante. Produto sem dúvida de uma mente crítica e atenta a possíveis falhas na bela estrutura do judaísmo; imprecisões que precisam ser criticadas e discutidas, ao invés de serem friamente aceitas.

O que o autor do artigo propõe é que existem raras referências na tradição judaica, que podem dar alguma pista de quando exatamente surgiu a prática da leitura dos profetas nas sinagogas. Há obviamente os que argumentam que esta nasceu no período dos Macabeus (166-63 A.E.C.), porém o autor deixará claro que estas evidências históricas ainda são questionáveis. O curioso é que ele recorrerá a fontes, inusitadas para o judaísmo, que provam a existência desta prática já na época do II Templo. Incrivelmente um dos documentos, demonstrado pelo autor, que descreve a leitura da Haftará no I século E.C., está no chamado Novo Testamento. Um trecho é o que narra a leitura pública do profeta Isaías/Yahshua’yaohuh por Yaohushua na sinagoga entre os nazarenos e outro é o que está preservado no livro de Atos dos Apóstolos capítulo 13. Estas são claras evidências de que tal prática era comum na época do II Templo, tanto em Israel/Yaoshor’ul como na Galút (diáspora).

O quê autor questiona é que, como já fora introduzido, não há menção deste trecho do profeta Isaías (lido por Yaohushua) na lista oficial de leituras da Haftará do judaísmo recente. Logo, vem a pergunta: O que aconteceu então, com a Haftará que Yaohushua leu na sinagoga entre os nazarenos?

 

EXCLUSÃO DELIBERADA DE TEXTOS MESSIÂNICOS

Para o autor israelense, houve uma exclusão deliberada por parte de líderes religiosos judeus da diáspora [a partir do primeiro século], principalmente em redutos judeus onde havia uma cultura predominantemente cristã. Para ele houve uma iniciativa da elite religiosa judaica em REMOVER os textos em que YAOHUSHUA poderia ser identificado ou associado ao Messias. A curiosidade é que os capítulos 60, o final do 61, o capítulo 62 e 63 do profeta Isaías/Yahshua’yaohuh, estão na lista de leitura da Haftará. Mas, estranhamente, o início do capítulo 61, que fora lido por Yaohushua entre os nazarenos, não está na lista. Segundo o autor, na verdade o texto lido por Yaohushua fora excluído arbitrariamente.

Esta inferência apresentada por Mack não foi produzida sem fundamentos. Baseia-se na antiga lista de leitura de Haftarôt encontrada na Guenizá[6] da sinagoga do Cairo. De fato, o referido texto (Isaías 61:1 e seg.) era lido na Haftará desta antiga comunidade do Norte da África. Por quê? Porque as comunidades judaicas desta região, não tinham contato com os debates sobre Yaohushua e o judaísmo; afinal eram locais onde havia predominância religiosa islâmica. Não havia conflito entre a cultura local e a estrutura litúrgico-teológica do judaísmo nestes locais. Não havia nada, a priori, no Islã que poderia por em risco a fé judaica.

Em suma, o que o autor tenta demonstrar é que houve um esforço no judaísmo ocidental (que logo se espalhou para o restante do mundo judaico) de excluir textos que eram tradicionalmente usados por cristãos como “textos prova” a respeito de uma possível “messianidade” de Yaohushua. Estes eram os chamados textos messiânicos...

Todos os textos abaixo foram excluídos deliberadamente da tradição judaica, por motivos óbvios. O interessante é que a leitura atual da Haftará engloba ou versos ou capítulos, antes ou depois destes trechos, mostrando claramente a resistência do judaísmo em inserir em sua liturgia textos messiânicos.

 

ALGUNS TEXTOS EXCLUÍDOS PELA TRADIÇÃO JUDAICA DA LEITURA DAS HAFTARÔT:

Is 7:14 - “UL, ele próprio, escolherá o sinal: Um menino será dado à luz por uma jovem; o seu nome será Imanu’ul.”.

Is 52:13-15 - “Reparem: o meu Servo prosperará; será altamente exaltado! Tal como muitos ficaram maravilhados ao vê-lo, sim, até as nações mais distantes, e os seus governantes, ficarão como que emudecidos na sua presença! Porque verão aquilo que não lhes tinha sido dito anteriormente, e compreenderão o que não lhes fora anunciado. Verão o meu servo tão desfigurado que dificilmente se perceberá que se trata duma figura humana ali presente. Mas, é assim que Ele limpará muitas nações.”.

Is 53:1-6 - “Mas, quem acreditou na nossa pregação? A quem revelará YAOHUH o seu poder salvador? Aos olhos de YAOHUH UL’HIM, ele era o delicado rebento duma planta, que brota duma raiz numa terra seca e estéril. Mas, aos nossos olhos não tinha atrativo nenhum, nada que nos fizesse interessarmo-nos por ele. Desprezâmo-Lo e rejeitâmo-Lo. Era um homem de sofrimentos experimentado nas mais amargas provações. Voltávamos-lhe as costas e olhávamos para o outro lado quando passava perto. Era desprezado e não lhe ligávamos importância nenhuma. Contudo ele tomou verdadeiramente sobre si as nossas enfermidades; e os nossos sofrimentos pesaram sobre ele. Pensamos que era afligido, castigado por YAOHUH; humilhado! 5Mas, ele foi ferido pelas nossas transgressões, e esmagado pelas nossas culpas! Foi castigado para que pudéssemos ter paz; pelas suas feridas fomos sarados. Perdemo-nos como ovelhas tresmalhadas! Deixamos o caminho certo para seguir a nossa própria via. Contudo UL’HIM fez cair sobre ele os pecados e a culpa de cada um de nós”.

Is 42:1-7: “Aqui está o meu servo, que eu sustento; o meu escolhido, em quem a minha vida tem imenso prazer. Pus do meu Rukha sobre ele. Revelará o que é a verdadeira justiça e a porá em execução entre as nações do mundo. Atuará com calma e doçura - não gritará, nem se porá a discutir alto nas praças públicas. Não pisará a cana que já está quebrada; não apagará de vez o pequeno pavio que ainda fumega. Dará antes coragem aos que já estão a desfalecer e que estão sendo tentados a desesperar. Há de fazer plena justiça aos que têm sido enganados. Não ficará satisfeito enquanto a verdade e a justiça não tiverem prevalecido através de toda a terra, nem enquanto as terras, mesmo as mais distantes, para além dos mares, não tiverem posto a sua confiança nele. UL, que criou os shuã-ólmayao e os estendeu, que criou a terra e tudo quanto há nela, que dá vida, respiração e espírito a todas as criaturas no mundo, é aquele que diz: Eu, UL, chamei-te para dar prova da minha retidão. Hei de guardar-te e amparar-te, pois que te dei ao meu povo como uma confirmação pessoal da minha aliança com eles. Serás igualmente uma luz para guiar as nações até mim. Abrirás os olhos aos cegos, e soltarás os que jazem nas prisões, em sombras e desespero”.

Jr 31:31-33: “Virá o dia, diz o Criador, em que renovarei a Aliança com o povo de Yaoshor’ul e de Yaohu’dah. Mas, não será como a que estabeleci com seus pais, quando os tirei do Egypto - um contrato que eles mesmos anularam, forçando-me a rejeitá-los, diz o Criador. Será assim a Novo Testamento que farei com eles: porei as minhas leis nos seus corações mesmo, de forma que hão de querer honrar-me; e nessa altura então se tornarão efetivamente meu povo, e eu serei o seu UL”.

Os 11:1 - “Quando Yaoshor’ul era uma criança, amei-o, e do Egypto chamei o Meu Filho”.

Mq 5:2 – “E tu, Bet’lekhem Efrata, embora sejas apenas uma pequena aldeia de Yaohu’dah, ainda assim serás o local de nascimento do governador do meu povo Yaoshor’ul, que vive desde a eternidade!”.

Zc 9:9 – “Alegra-te intensamente, ó meu povo! Grita de contentamento! Vê, o teu rei aproximar-se! Justo e Salvador, pobre e montado num jumento, um pequeno jumentinho. ”.

Parece meio óbvio, que estes textos tenham sido excluídos da leitura pública da tradição judaica, fica evidenciado que estas profecias têm profundas implicações de ordem messianológica, em favor de Yaohushua como única pessoa histórica que se tem relato textual que cumpriu, ou pelo menos teve algum vínculo com estas profecias. O que se vê é um esforço deliberado contra a figura de Yaohushua como Messias. Além destes textos, o livro de Daniel/Dayan’ul  também é execrado pelos judaicos ortodoxos, por razões obvias; principalmente o cap. 9.

 

ADULTERAÇÃO DE TEXTOS MESSIÂNICOS

O esforço do judaísmo tardio em descaracterizar, ou pelo menos, em prevenir a comunidade de uma “livre associação” entre textos messiânicos com a figura de Yaohushua continua ainda de forma mais intensa, quando se trata de uma tradução recente, do Tanakh[7] (da Bíblia Hebraica – também conhecido como Antigo Testamento pelos cristãos, feita pela SEFER, no Brasil). Infelizmente, muitos cristãos ávidos e leigos, ainda inexperientes na relação cristianismo X judaísmo, se envolvem em elogios até públicos, sem ao mesmo refletirem criticamente sobre estes textos.

Como de praxe nesta versão [SEFER], em nada diferente de outras traduções da “Bíblia Hebraica” existentes no mundo, há inferências entre parênteses que são usadas, segundo os editores, para a “...inserção criteriosa de certas palavras (normalmente entre parênteses) quando extremamente necessárias à compreensão do texto, ou adotou-se determinada tradução não literal a fim de possibilitar sua leitura à dos ensinamentos e orientações técnicas dos Sábios do Talmud[8] e dos consagrados exegetas bíblicos judeus dos últimos 2 mil anos”[9].

Neste ponto reside a principal crítica deste artigo. Ao submeterem uma tradução das Escrituras Hebraicas para o português, levaram em conta uma tradição paralela de tradução das Escrituras, neste caso as orientações de rabinos da antiguidade bem como outros intérpretes judeus. Ou seja, o que se tem não é apenas uma tradução, é uma “interpretação” tendenciosa. Felizmente, este ponto foi deixado claro, até aqui!

O problema reside no fato de que, como foi visto na questão das Haftarôt, há na estrutura do judaísmo posterior ao Segundo Templo, uma tendência a “ajustes” de ordem teológica na própria religião, de forma a não haver lacunas para uma possível compreensão ou associação de Yaohushua como uma figura messiânica. Para prevenir possíveis “distorções”, apela-se para todo tipo de “adaptação” textual, para que se alcance este objetivo.

Pensar-se-á em algumas passagens bíblicas cuja tradução é conduzida de tal forma que levam o leitor à conclusões previamente elaboradas, obviamente com fins profiláticos; como uma forma de prevenir outros judeus de perceberem a figura messiânica de Yaohushua nestes possíveis textos.

Citar-se-ão alguns textos na versão portuguesa da Bíblia Hebraica [SEFER] e será feita em seguida uma análise exegética destes textos, percebendo possíveis distorções ou interpolações.

 

TEXTO 1: Is 9:6-7 (v.5-6 no texto hebraico):

“Pois nasceu entre nós uma criança, um filho (de Achaz, da dinastia de David) nos foi dado. E sobre seus ombros estará a autoridade; por isso o Maravilhoso Conselheiro, o Criador Todo-Poderoso e Pai eterno, alcunhou-o (a Hizikiáhu/Ezequias, o filho de Achaz) de Sar-Shalom (‘Príncipe da Paz’)...”

Como já foi dito, as inferências entre parênteses são em alguns casos elucidativas, mas em outros, são ampliações do texto vinculando-os a uma tradição interpretativa como objetivo única: eliminar a messianidade do texto!

Neste texto a “criança”, a priori não identificada diretamente no texto, é associada ao filho do rei Acaz, neste caso o Rei Ezequias. Observe, que as observações entre parênteses não constam no texto hebraico original, são interpretações de ordem especulativa, não havendo clareza no texto sobre tal possibilidade. Repentinamente, a “criança” ou o “menino”, ‘cujo poder está sobre seus ombros’, é nomeado de “Príncipe da Paz” por um terceiro sujeito: “O Criador Todo Poderoso e Pai Eterno”. Estranho, pois no texto hebraico esta estrutura final está da seguinte forma:

Como pôde ser observado, na tradução interlinear (transliterado) não há possibilidade para outra tradução, não há a expressão “por isso” usada pela Bíblia Hebraica em Português. Nem o artigo definido “o conselheiro”, como se houvesse uma outra pessoa no texto. Fica claro que todos os adjetivos usados no texto se aplicam à “criança” (o Messias) que nasceria e teria o poder sobre seus ombros. Há nitidamente inferências artificiais no texto tendo em vista conduzir o leitor a uma interpretação intencionada.

Veja ainda que o tradutor deslocou os adjetivos messiânicos para o Eterno, obviamente para ofuscar a argumentação de séculos, de que este texto refere-se a Yaohushua hol’Mehushkyah.

Enfim, o que o texto do profeta deseja, é demonstrar o caráter representativo do Messias, cuja função é revela-lo como “Criador Forte” e “Pai pela Eternidade afora”, etc.

Na ESN, este texto fica assim: Porque um menino nos nasceu; foi-nos dado um filho. Ser-lhe-á dada a responsabilidade de governar. Estes serão seus títulos: Maravilhoso, Conselheiro, UL Forte, UL’ABI para sempre, Príncipe da Paz.

Óbvio, que a abordagem tradicional cristã sobre a divindade do Messias, tem pontos de debate e em alguns casos até mesmo conflitantes com um modelo de fé legitimamente monoteísta. Por isto, está disponível no site do Ministério Ensinando de Sião (TAMBÉM na CYC – www.cyocaminho.com.br/trinitarianismo.html) um artigo que demonstra uma forma alternativa de abordar o caráter “divino” do Messias (www.cyocaminho.com.br/Messias.html). Desprovido de um deslocamento da pessoa do Eterno para Yaohushua [modalismo], como vem fazendo tradicionalmente a abordagem cristã a respeito da relação Pai X Filho. Porém, este é outro debate.

 

TEXTO 2: Is 7:14:

Eis pois que o Eterno, Ele mesmo, vos dará um sinal: eis que a moça grávida dará à luz um filho e o chamará Imanuel (‘o Criador está conosco’)”.

Quando um cristão lê este texto, percebe logo a diferença em relação às versões cristãs, que traduzem geralmente o verso como: “... eis que a virgem dará à luz um filho...”, ao invés de “... eis que a jovem...”. O problema reside na polêmica sobre a palavra hebraica “almá” (traduzida pelas versões não judaicas como virgem). O argumento judaico é que esta expressão não significa “virgem”, mas “mulher jovem” ou “moça”. De fato, as Escrituras Hebraicas possui uma palavra específica para fazer referência a virgem, o termo "betulá". Porém, é óbvio que o termo “almá”, que apesar de significar “moça” ou “menina jovem”, não descarta a hipótese de virgindade.

No livro de Mateus/Man’yaohuh quando da narrativa do nascimento de Yaohushua, vê-se claramente o uso do termo grego “partenós” (virgem) para se referir a Maria/Maoro’hém. Isto não foi acidental, pois a versão grega das Escrituras Hebraicas (que era muito popular entre os judeus de Yaoshor’ul no I século) chamada de Septuaginta (ou LXX), introduziu a expressão “partenós” (virgem) para traduzir “almá” do hebraico de Is 7:14. Provando assim, que os judeus responsáveis por traduzirem as Escrituras do hebraico para o grego já assimilavam doutrinas pagãs e as incutiram nas Escrituras, uma vez que viam “claramente” o vínculo entre almáh e “virgindade”, apesar de haver uma palavra hebraica específica para “virgem”. Evidente que este não foi o pensamento do escritor bíblico, uma vez que, como foi dito acima, no hebraico existem palavras distintas e se o profeta assim desejasse [expressar a “virgindade” da jovem], o teria feito mediante o uso da palavra correta; provando assim que o RESULTADO [a Septuaginta] foi tendencioso em mais este tópico[10].

Yaoshor’ul teve em sua trajetória vários casos em que mulheres que não podiam dar a luz de forma natural e conceberam por intervenção divina, obviamente não eram virgens, mas eram estéreis, e o CRIADOR, por Sua intervenção, as fez conceber (como Sara/Soro’ah) em idade avançada). Há algum limite para o poder do CRIADOR? Não seriam estes casos que vão desde Sara/Soro’ah, passando por Anna até Isabel/Oliza’bohay (parente de Maria/Maoro’hém), sinais de uma concepção ainda mais milagrosa do que a que ocorreria quando o Messias viesse ao mundo? Daí, o texto que cumpriu-se no próprio Isaías/Yahshua’yaohuh, ser messiânico, apontando que naquela concepção carnal entre José/Yao'saf e Maria/Maoro’hém, produziria o Messias (Hb 10:5), o Filho do ETERNO – o Cordeiro que tiraria o pecado do mundo! Jo 3:16.

 

TEXTO 3: Is 52:13—53:12.

Este é o texto mais adulterado da versão portuguesa da Bíblia Hebraica. Far-se-á uma análise de alguns trechos considerados de maior gravidade.

Este trecho é comumente conhecido, como se referindo ao “servo sofredor”, associado durante muitos anos no judaísmo a figura do Messias, como bem demonstra alguns targumim[11] e trechos do Talmud. Houve uma mudança de ponto de vista hermenêutico (interpretativo), na estrutura do judaísmo da idade média, tendo em vista prevenir a associação da figura de Yaohushua com este texto. Houve um consenso rabínico de se procurar uma interpretação alternativa a Isaías/Yahshua’yaohuh 53, ao invés de associá-lo ao Messias.

Is 52:13 que começa na Bíblia Hebraica em português como: “Eis que há de prosperar Meu servo (o povo de Israel/Yaoshor’ul)...” Deixa óbvia a interpolação entre parênteses e proposta de associação entre o “servo” com o “povo de Israel/Yaoshor’ul”, descaracterizando o caráter messiânico da profecia. Estranho, para uma versão que se propõe manter seus vínculos com a tradição, ignorar como o Targum Jonatas (Yonatân) traduz o começo do texto: “Eis que o meu servo o Messias (o Ungido), há de prosperar...”.

Em Is 53:4 a Bíblia Hebraica em português propõe a seguinte tradução: “Na verdade, eram os nossos sofrimentos (das nações) que (Israel/Yaoshor’ul) suportava, e as dores que o oprimiam, mas nós o considerávamos um ser aflito, golpeado e ferido por Criador”. Veja a diferença, na tradução interlinear (literal) no quadro abaixo:

Não há, obviamente nem “Israel/Yaoshor’ul” e nem as “nações” no texto original. Mas, observe, que o tradutor colocou “... as dores que o oprimiam...”. Associando assim a “dor” à 3ª pessoa (ele), como se o texto estivesse associando “as dores” ao sujeito descrito no texto, que para a versão é “Israel/Yaoshor’ul”. Mas, no original não é bem assim. O que se vê é o uso da expressão “umachôvêinu” wnybakmw que está na 1ª pessoa do plural (nós) como indica o sufixo ”einu”. O texto está dizendo que “ele” (o servo sofredor – o Messias) levará as “nossas dores”, ou seja as dores do povo de Israel/Yaoshor’ul e não o contrário, como se Israel/Yaoshor’ul carregasse em si suas próprias dores.

Uma curiosidade sobre este trecho é que na tradição judaica, anterior à idade-média, este era interpretado como se referindo ao Messias, como descreve o Talmud:

"Disse Rav: O mundo foi criado só para David. Disse Shemuel: Para Moisés. Disse o Rabi Yochana: Para o Messias. Como se chama o Messsias? (...) Se chama "o leproso da casa dos estudos"- disseram os rabinos - porque disse o escrito: CERTAMENTE ELE LEVOU AS NOSSAS ENFERMIDADES, E SOFREU NOSSAS DORES; E NÓS O REPUTAMOS POR FERIDO DO ETERNO E OPRIMIDO" (Is 53)" (Talmud Babilônico, Tratado San'hedrim 98a).

Outro trecho sujeito a críticas é o que se encontra no verso 8: “Com opressão e juízo iníquo foi aprisionado; acaso alguém (das nações) argumentou para com sua geração: ‘Ele (Israel/Yaoshor’ul) foi exilado da terra dos vivos pela transgressão do meu povo, e por isso recebeu esse duro golpe?’. Ao analisar o trecho destacado em negrito, o que se vê é uma frase contraditória. Afinal, todo o tempo o autor impõe um diálogo entre “Israel/Yaoshor’ul” e as “nações”, excluindo uma terceira pessoa, a figura do Messias.

Observe a tradução interlinear-literal:

O que se vê é que a expressão “ami” (meu povo) se refere a ISRAEL/YAOSHOR’UL, a única nação no mundo que é chamada nas Escrituras Hebraicas de “meu povo”. Então como pode o mesmo Israel/Yaoshor’ul levar um golpe pelo “meu povo” (Israel/Yaoshor’ul). Há um outro sujeito que recebeu um golpe pela rebelião ou transgressão do povo de Israel/Yaoshor’ul. Isto é demonstrado pelo verbo “nigzár” (que está na 3ª pessoa do singular masculino – “cortado”) e o verbo “lamô” (que também está na 3ª pessoa do singular masculino – “recebeu”). Lembrando, que não há a expressão “exílio” (galút) no texto original. Fica claro que neste caso há referência ao Messias (a 3ª pessoa do singular) como redentor das culpas de Israel/Yaoshor’ul.

Na ESN: Após a prisão e o julgamento levaram-no então para a morte. Mas, afinal, quem de entre o povo, naquele dia, se deu conta de que era pelos pecados deles que ia morrer, que estava sofrendo o castigo que deviam eles ter suportado?

Is 53:10 Este é outro trecho profundamente alterado, veja como se segue a tradução feita pela Bíblia Hebraica em Português:

“Contudo, aprouve ao Eterno oprimi-lo para testar se sua alma se oferecia como restituição, para que pudesse ver prolongados os dias de sua semente, e sentir prosperar, por seu intermédio, os desígnios do Eterno”.

Agora observe a tradução interlinear-literal:

Na ESN: Contudo foi o bom plano de UL’HIM que ele fosse moído e cheio de aflições. Mas, quando a sua vida for oferecida por expiação do pecado, então terá uma multidão de filhos, uma posteridade imensa. E tornará a viver; os planos de UL’HIM hão de prosperar nas suas mãos.

O que se deve discordar é a tradução do termo “asham” (oferta pelo pecado) por “restituição”. Sabe-se o sentido literal de “asham” como significando “compensação”, porém “asham” é uma referência direta a “oferta pela culpa” oferecida no Templo, conforme se vê o uso da palavra em textos como: Lv 7:15; 14:21 e 19:21. Ao ofuscar a função de “asham” do Messias, exclui-se qualquer possibilidade, de encontrar a cura de Israel/Yaoshor’ul, a resposta para um Yom Kipur verdadeiro. Pois não há “Yom Kipur sem sangue” como afirma a tradição. Sem dúvida, por isto o Eterno providenciou um “asham”, uma oferta pela culpa de todo judeu. O Eterno providenciou esta cura e os que a experimentam (judeu ou não-judeu) conhecem bem os seus efeitos.

O que se vê também, é que há uma suavização dos verbos usados. Ao invés do verbo “testar” dever-se-ia usar como no original o verbo “hechêlí” que vem da raiz “chalá” que só pode ser traduzido como: “adoecer, se tornar enfermo, etc”. O verbo “testar” é inexistente no original, não há nenhuma palavra que suporte esta tradução. Vale aqui uma crítica: Por que a versão em questão traduziu o termo que vem da raiz “chalá” como “teste” em Isaías 53:10 e traduziu como “doente” em Isaías 33:24? Este texto foi traduzido como se segue: “E não dirá um habitante (de Jerusalém): ‘Estou doente’[12], pois ao povo que ali vive serão perdoados todos os pecados” (grifo meu).

 

TEXTO 4: Zc 9:9

“Rejubila-te com todo teu ser, ó filha de Tsión! Clama com alegria, ó filha de Jerusalém! Eis que para ti se encaminha teu justo rei, triunfante por suas vitórias, mas ao mesmo tempo comportando-se com humildade, cavalgando um filhote de jumento”.

Observe a tradução linear:

O texto procura obscurecer a “pobreza” e o “sofrimento” do Messias em sua primeira vinda Yaohushua era pobre, as narrativas dos evangelhos deixam isto claro, e sofreu em sua trajetória messiânica. Porém, neste caso há um obscurecimento deste detalhe. Pois se insere a seguinte frase: “... triunfante por suas vitórias, mas ao mesmo tempo comportando-se com humildade...” Não há no original esta estrutura, ele não se “comporta” com humildade, ele é “pobre e sofredor” yn[ (ani).

Veja o uso da mesma palavra em alguns textos da Torá:

Ex 3:7 - Falando do sofrimento e da aflição do povo de Israel/Yaoshor’ul no Egito.

Dt 16:3 - Falando do pão da aflição.

Dt 24:12 - Falando do homem pobre.

O que a profecia de Zacarias procura demonstrar é a dupla função do Messias: “sofredor” e “vitorioso”. Interessante observar novamente o que está preservado na tradição judaica, sobre esta relação do Messias “sofredor x vitorioso”, como está escrito:

“Rabino Alexandre disse: Rabi Josué Bem Levi levantou uma contradição. Está escrito, neste tempo [virá o Messias], como também está escrito, Eu [ADONAI] apressarei isto! Se eles forem dignos, eu apressarei isto, se não, [ele virá] no tempo oportuno. Rab. Alexandre disse: Rab. Josué opôs-se com dois versos: Está escrito, que um como o Filho do Homem virá com as nuvens dos céus, mas também está escrito que o [Rei virá a ti] humilhado e cavalgando sobre um jumento! Se eles merecerem, ele virá com as nuvens dos céus, mas se não, humilhado e sobre um jumento” (San’hedrim 98a).[13]

Como descrito, os rabinos debatiam o duplo caráter do Messias: pobre, humilhado e afligido e ao mesmo tempo um Messias vitorioso. Este conflito messianológico era muito presente no I século em vários debates rabínicos. Pois de fato havia textos que sustentavam o aspecto “sofredor” do Messias. Por isto há a tradição de um “Messias Ben Yosef” que antecederia o Messias vitorioso. A diferença que existe na abordagem dos judeus messiânicos, é que simplesmente vemos Yaohushua como este Messias sofredor e que ele mesmo (como prometera) voltará para um povo que merecidamente o verá sobre as nuvens dos céus, em sua segunda vinda.

Este mesmo texto na ESN: Alegra-te intensamente, ó meu povo! Grita de contentamento! Vê, o teu rei aproximar-se! Justo e Salvador, pobre e montado num jumento, um pequeno jumentinho.

 

TEXTO 5: Zc 12:10

“E derramarei sobre a Casa de David e sobre os moradores de Jerusalém o espírito de graça e das súplicas, e olharão para Mim por causa daqueles que foram transpassados e gemerão como se fosse pela morte de seu filho único, e sofrerão como quem sofre por seu primogênito”.

O problema reside no trecho: “... e olharão para Mim por causa daqueles que foram transpassados...”

Mais uma vez, observe a tradução literal do trecho:

O uso de “êt” ta pelo tradutor foi totalmente ignorado. O “êt” tem a função de indicar objeto direto em uma oração, ou seja, que a estrutura após o “êt” recebe a ação do sujeito da estrutura anterior. “Eles” (os que olharão) são os sujeitos da oração. “Eles olharão” para aquele (“...para mim...”) que “eles transpassaram” e chorarão. Não há como sustentar “aqueles que foram transpassados”, até porque o verbo transpassar “dakarú” (wrqd) está na voz “Qal” ou seja, voz ativa e não voz passiva. Indicado “ação sobre” e não que os sujeitos da oração estão recebendo a ação. Mas, uma vez a tentativa de ofuscar, o lamento sobre o Messias ferido pelas iniqüidades de Israel/Yaoshor’ul e das nações.

Na ESN, lemos: Nessa altura derramarei o espírito de graça e de oração sobre todo o povo de Yah’shua-oleym, e verão aquele que trespassaram, e chorarão por ele, como por um filho único ou um primeiro filho que lhes tivesse morrido.

Conclusão:

Como pôde ser observado, existe uma intensa produção textual inerente ao judaísmo que tenta de alguma forma impedir a associação entre os textos messiânicos em sua forma original com a figura messiânica de Yaohushua o Nazareno. Por uma questão óbvia, sabe-se que por séculos o judaísmo vem resistindo esta combinação, na maioria dos casos de forma intencional. A figura de Yaohushua vem sendo excluída do judaísmo durante séculos. Hoje, já existe um movimento acadêmico/teológico que tenta reconstituir Yaohushua como um judeu, como um grande mestre, até mesmo como um possível profeta judeu, há até os que afirmam como se segue, Yaohushua como um tipo de Messias Ben Yosef:

"A literatura teológica judaica clássica fala de um messias fracassado. Na maioria dos textos, ele é chamado Messias filho de José (ou Messias filho de Efraim). Trata-se de um messias preliminar, que vem em antecipação do, e para abrir o caminho ao Messias final, o Messias filho de David. É um messias que morre a fim de criar as condições e proporcionar a oportunidade, para que a redenção final ocorra. Essa idéia de um messias sofredor é originária do messianismo judaico (...) De acordo com outros historiadores judeus, a idéia do Messias filho de José foi desenvolvida para conferir a Yaohushua um lugar na teologia messiânica judaica. Segundo essa concepção, a idéia foi desenvolvida para tentar convencer os judeus do primeiro século que acreditavam que Yaohushua era o Messias de que na verdade ele era um messias judeu, mas não o Messias definitivo. Essa tentativa, esperava-se, evitaria a separação desses judeus da comunidade judaica" (Yaohushua segundo o Judaísmo, Ed. Paulus - Capítulo "Quem você diz que sou?" - Rabino Byron L. Shewin*)

*Currículo: Professor de filosofia e misticismo judaicos no Spertus Institute of Jewish Studies in Chicago. Ordenado no Jewish Theological Seminary.

O que se propõe com este artigo é que irmãos judeus [e os ditos judaicos-messiânicos com suas rezas, kipas e talits; além das tais de 613 leis] tenham suas mentes abertas e seu espírito livre pela verdade. Que questionem, que investigam com mente e coração dispostos pela Verdade. A verdade é cara, custa vínculos, revisão de dogmas, mas a recompensa é incomensuravelmente valiosa, ela liberta.

O judaísmo possui em sua religiosidade indícios de uma revelação que está nas entrelinhas dos textos sagrados, na liturgia, nos cantos sinagogais e na sabedoria dos rabinos. Yaohushua foi o único judeu que dividiu a história; sua simplicidade enigmática deixou uma marca no tempo. As impressões que Ele legou, nunca serão feitas por outro judeu na história.

Uma crítica como esta, não tem outro fim, a não ser permitir que as pessoas pensem, pensem de forma autônoma e livre, para compreenderem finalmente a Verdade além dos dogmas. Amnao!

 


[1] Musaf - sãos as orações de acréscimos no sidur, o livro de orações e louvores judaicos usados nas sinagogas.

[2] Seir - se refere ao lugar onde Esaú/Essáv foi. Essáv (que é chamado também de Edom) na literatura Talmúdica alude ao cristianismo; mas nós sabemos que se refere aos palestinos...

[3] Hoje, sabe-se que esta parte do livro de Mateus/Man’yaohuh (sobre o nascimento de Yaohushua), é apócrifa, isto é, não consta dos textos mais antigos ou mesmo da Peshita!

[4] Targumim, plural de “targum” (tradução). Traduções interpretativas judaicas do hebraico para o aramaico.

[5] Alma/naf’shô – mais um conceito pagão, uma vez que nas Escrituras, esta palavra melhor seria traduzida como VIDA; Gn 2:7.

[6] Guenizá Um compartimento específico em sinagogas, para abrigar livros danificados, ou documentos que não estão em perfeito estado de conservação. Na tradição judaica, livros sagrados, mesmo em condições questionáveis, não podem ser lançados fora. Estes documentos permanecem em compartimentos específicos sem tempo determinado, neste caso, esta lista “diferente” de Haftarôt, fora encontrada na Guenizá de uma sinagoga do Cairo (Egito).

[7] Fridlin, Jairo e Gorodovits, David. Bíblia Hebraica. São Paulo. Ed. Sêfer: 2006

[8] Tão sábios que não souberam reconhecer hol’Mehushkyah, Yaohushua!

[9] Considerações Gerais (pg.8) de: Fridlin, Jairo e Gorodovits, David. Bíblia Hebraica. São Paulo. Ed. Sêfer: 2006.

[10] Hoje, sabe-se que esta parte do livro de Mateus/Man’yaohuh (sobre o nascimento de Yaohushua), é apócrifa, isto é, não consta dos textos mais antigos ou mesmo da Peshita!

[11] Targumim, plural de “targum” (tradução). Traduções interpretativas judaicas do hebraico para o aramaico.

[12] ytiylix' (chalití) verbo da raiz Chalá hlj adoecer.

[13] “R. Alexandri said: R. Joshua b. Levi pointed out a contradiction. it is written, in its time [will the Messiah come], whilst it is also written, I [the Lord] will hasten it! — if they are worthy, I will hasten it: if not, [he will come] at the due time. R. Alexandri said: R. Joshua opposed two verses: it is written, And behold, one like the son of man came with the clouds of heaven whilst [elsewhere] it is written, [behold, thy king cometh unto thee … ] lowly, and riding upon an ass! — if they are meritorious, [he will come] with the clouds of heaven; if not, lowly and riding upon an ass...” (Sanh. 98a) (versão Soncino em Inglês disponível em http://www.comeandhear.com).

 

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